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Capítulo Cinco: A participação humana na Hierarquia Celeste

Retomamos agora a premissa central deste livro: no Céu haverá uma única Hierarquia Celeste de glória, compartilhada pelos anjos e pelos santos. Prosseguindo com a Suma Teológica, São Tomás de Aquino explica que os santos (seres humanos) não se tornam anjos no Céu, mas participam dos diversos graus de glória que compõem a Hierarquia Celeste:

Portanto, pelo dom da graça, os homens podem merecer a glória em tal grau que se igualem aos anjos, em cada um dos graus angélicos; e isso implica que os homens são elevados às ordens dos anjos (I.108.8). 

Assim, os seres humanos continuam sendo humanos e os anjos continuam sendo anjos, mas participam da única hierarquia eterna de glória, com base em seu mérito (no caso dos seres humanos) ou em sua natureza (no caso dos anjos).

O Catecismo da Igreja Católica, ao citar o Papa São Paulo VI, apresenta um ensinamento semelhante:

“Cremos que a multidão daqueles que estão reunidos em torno de Jesus e Maria no Paraíso forma a Igreja do Céu, onde, na bem-aventurança eterna, veem Deus tal como Ele é e onde também estão associados, em diversos graus, aos santos anjos no governo divino exercido por Cristo na glória, intercedendo por nós e ajudando a nossa fraqueza com sua solicitude fraterna” (Paulo VI, CPG # 29) (CIC #1053).

São Boaventura

Como mencionado no Prefácio, o Papa Bento XVI, durante uma Audiência Geral, afirmou que “São Boaventura interpreta essas ordens de anjos como degraus no caminho da criatura humana para Deus”. Assim, o grau de santidade que alcançamos em nossa jornada espiritual corresponde aos graus de glória dos quais participam os nove coros dos anjos. O ensinamento de São Boaventura pode ser encontrado em suas obras Itinerário da Mente para Deus e A Tríplice Via. O itinerário de nove etapas é apenas uma das diversas maneiras pelas quais Boaventura apresenta o caminho para Deus.

O ensinamento principal do Itinerário da Mente para Deus é que há seis etapas pelas quais a mente ascende a Deus para chegar à sétima, que é a União Divina. Essas seis etapas refletem os seis dias da criação, e a sétima — a União Divina — reflete o dia de descanso. As duas primeiras etapas são alcançadas pela descoberta dos vestígios de Deus no mundo criado; as duas seguintes consistem na descoberta de Deus em nossa própria alma; e as duas últimas, na descoberta de Deus pela graça, que nos é dada por meio da humanidade de Cristo. São Boaventura explica que esse dom da graça aperfeiçoa em nós a fé, a esperança e a caridade, restaurando a ordem em nosso intelecto, nossa memória e nossa vontade, afetados pela queda. Isso se realiza pela humanidade de Cristo, que atua como uma escada espiritual para Deus, a fim de reparar os efeitos do Pecado Original. Depois de explicar os efeitos da graça sobre a alma no Capítulo Quatro, São Boaventura afirma:

Quando isso se realiza, nosso espírito se torna hierarquizado para ascender por sua conformidade com a Jerusalém celeste, na qual ninguém entra a menos que, pela graça, ela tenha descido ao seu coração, como João viu em seu Apocalipse (21:2). Mas ela desce ao coração de alguém quando, pela restauração da imagem por meio das virtudes teologais e pelas delícias dos sentidos espirituais e pela elevação extática, nosso espírito se torna hierarquizado, isto é, purificado, iluminado e aperfeiçoado.

Do mesmo modo, a alma é marcada pelos nove passos seguintes quando se encontra ordenadamente disposta: anunciar, declarar e conduzir; regular, fazer cumprir e comandar; receber, revelar e ungir. Cada um deles corresponde a uma das nove ordens dos anjos, de modo que os três primeiros estágios correspondem à natureza na mente humana, os três seguintes ao empenho [human effort] e os três últimos à graça.

Uma vez adquiridos esses passos, a alma, entrando em si mesma, entra na Jerusalém celeste, onde, contemplando as ordens dos anjos, vê Deus neles, o Qual, habitando neles, realiza todas as suas operações. Por isso, Bernardo disse a Eugênio que—“Deus, nos Serafins, ama como Caridade; nos Querubins, conhece como Verdade; nos Tronos, está sentado como Equidade; nas Dominações, domina como Majestade; nos Principados, governa como Primeiro Princípio; nas Potestades, vela por nós como Salvação; nas Virtudes, opera como Virtude; nos Arcanjos, revela como Luz; nos Anjos, auxilia como Piedade.” (São Boaventura, Itinerário da Mente para Deus, Capítulo IV.4)

Embora São Boaventura não ofereça mais comentários sobre a ordem dos nove passos nesta seção do Itinerário da Mente para Deus, o que se segue é uma combinação dos nove passos de São Boaventura com a angelologia tradicional que abordamos até aqui:

“Anunciar, declarar e conduzir” correspondem à primeira tríade dos Anjos, Arcanjos e Virtudes. Esse estágio inicial do desenvolvimento espiritual é fundamental: nele, a alma é despertada pelo chamado divino que é anunciado e depois fortalecido pela oração e pela meditação, conduzindo a alma para longe do pecado e em direção à vontade de Deus.

“Regular, fazer cumprir e comandar” correspondem à segunda tríade das Potestades, Principados e Dominações. Esse estágio dos proficientes no desenvolvimento espiritual reflete o progresso da alma rumo a uma vida mais disciplinada e virtuosa, durante a qual as virtudes morais e teologais regulam mais plenamente os desejos e as emoções, fazem cumprir a lei divina na alma e comandam as paixões inferiores.

“Receber, revelar e ungir” correspondem à terceira e mais elevada tríade dos Tronos, Querubins e Serafins. Esse é o estágio dos perfeitos, no qual a União Divina é alcançada pela recepção dos mais elevados mistérios divinos, que são revelados pela contemplação pura, mediante a unção do Espírito Santo.

Na citação acima, São Boaventura se refere à ordenação dos nove coros feita pelo Papa São Gregório Magno e atribui uma expressão a cada um deles. São Boaventura também cita a carta anteriormente mencionada, escrita por São Bernardo de Claraval ao Papa Eugênio II. O texto integral desse trecho da carta de São Bernardo de Claraval pode ser encontrado no Apêndice.

Em A Tríplice Via, São Boaventura retoma brevemente a Hierarquia Celeste, oferecendo uma compreensão mais profunda dos nove níveis de conversão que correspondem aos nove coros. A seguir, apresentamos uma tentativa de resumo e síntese da abordagem de Boaventura nessas duas obras.

Primeira Tríade: Purificação e Contrição

Anjos (anunciar): Mais próximos de nós, os Anjos da Guarda anunciam continuamente a vontade de Deus aos seres humanos confiados à sua guarda. À medida que a alma abraça a humildade e a pequenez dos anjos, percebe a gravidade de seus pecados, treme diante do juízo e começa a invocar a Verdade por meio de suspiros e orações que brotam do coração. Isso marca o estágio inicial de acolher o Evangelho, arrepender-se e voltar-se para a misericórdia de Deus.

Arcanjos (declarando): Mistérios divinos mais importantes são declarados à alma. A revelação divina transmitida pelos Arcanjos leva a alma a tomar consciência do dano que causou pelo pecado, não apenas a si mesma, mas também a Cristo e aos outros. A reflexão leva ao arrependimento por meio do pranto pelos próprios pecados e de uma busca mais intencional das Escrituras para compreender a oferta de perdão e salvação de Cristo.

Virtudes (conduzindo): Apoiando-se na força concedida pelas Virtudes, a alma luta contra as seduções do pecado e do maligno, abraçando a virtude pela resistência ativa ao pecado, mostrando-se disposta a suportar o sofrimento pela fé, que purifica e fortalece a alma, e desejando o martírio por causa da recompensa.

Segunda Tríade: Iluminação e Gratidão

Potestades (regulando): Verdades são comunicadas à mente para que a ordem divina seja estabelecida e a alma seja regulada. A alma considera com maior clareza que Jesus sofreu pelo pecado, reconhecendo a divindade de Cristo unida à Sua humanidade, o que leva à compaixão e ao amor a Deus. As Potestades, que mantêm a ordem cósmica por meio do combate espiritual, levam a alma a ver com maior clareza os sofrimentos humanos de Cristo e o grande valor espiritual transmitido por esse sofrimento.

Principados (fazendo cumprir): A alma considera com maior clareza quão grande é Aquele que sofreu e por que sofreu, o que leva à confiança e à gratidão pelo dom da salvação. Essa confiança reconhece a autoridade de governo e a força dos Principados, levando à gratidão pelo poder de Deus para salvar.

Dominações (comandando): A alma considera tanto o modo quanto a intensidade do sofrimento de Cristo, o que leva à esperança e a um compromisso mais profundo de segui-Lo. As Dominações, que governam os coros inferiores, retratam a maior conformidade da alma com a vontade de Deus.

Terceira Tríade: União e Conformidade 

Tronos (recebendo): A alma torna-se mais consciente da presença iminente de Deus, o que leva à atenção e à vigilância. Sua proximidade leva à confiança em Sua fidelidade. A proximidade dos Tronos com Deus e sua consciência da autoridade divina ajudam a alma a entrar em uma União Divina que a absorve inteiramente.

Querubins (revelando): O desejo inflama a alma, impelindo-a à União Divina, sendo ela arrebatada em êxtase ao se ver elevada a Deus. Os Querubins, que contemplam e iluminam a sabedoria de Deus, inspiram a alma a buscar a Deus de modos que transcendem os conceitos e as preocupações terrenas, elevando-a à contemplação divina.

Serafins (ungindo): Na etapa final, o deleite na beleza de Deus traz paz à medida que a alma experimenta uma profunda proximidade com Deus, resultando em uma transformação completa. Essas almas, com os Serafins, tornam-se verdadeiramente “seres ardentes” que participam do fogo do amor de Deus. Elas clamam: “É a Vós que busco, em Vós espero, por Vós anseio, a Vós me elevo, a Vós recebo, em Vós exulto e a Vós finalmente me apego” (A Tríplice Via, Capítulo 3.8).

Outros Santos e Místicos

A Beata Ana Catarina Emmerich foi uma religiosa agostiniana conhecida por suas experiências místicas. Nasceu na Alemanha em 1774 e faleceu em 1824. Devido a uma doença, passou grande parte de sua vida adulta acamada. Ao longo da vida, teve visões sobrenaturais, incluindo descrições detalhadas da vida de Jesus e da Virgem Maria, que mais tarde foram compiladas e publicadas pelo poeta Clemens Brentano. Sofreu muito, especialmente por causa dos estigmas, as chagas de Cristo em seu corpo. Ana Catarina foi beatificada pelo Papa João Paulo II em 3 de outubro de 2004 e tornou-se uma figura venerada por suas percepções espirituais e pelo exemplo de sua intensa devoção e de seu sofrimento. A citação a seguir foi extraída de A Vida de Jesus Cristo, a partir das visões de Ana Catarina Emmerich, conforme registradas nos diários de Clemens Brentano, vol. 1, livro: O Pecado e suas Consequências: A Queda:

O homem foi criado para preencher os coros dos anjos caídos. Se não fosse pela queda de Adão, o gênero humano teria aumentado somente até que se atingisse o número dos anjos caídos, e então o mundo teria chegado ao fim. Se Adão e Eva tivessem vivido para ver sequer uma geração sem pecado, não teriam caído. Tenho certeza de que o mundo durará até que o número dos anjos caídos seja preenchido, até que o trigo tenha sido recolhido dentre a palha.

Como mencionado no Prefácio, o subtítulo deste livro vem de Santa Matilde de Hackeborn, mística, contemporânea e orientadora espiritual de Santa Gertrudes, a Grande. Ela teve uma visão na qual os nove coros estavam dispostos em uma escadaria de ouro com nove degraus. Compreendeu que aqueles nove degraus, correspondentes aos nove coros, significavam os nove degraus da conversão dos homens. Nessa visão, ela segue a ordem dos coros de São Gregório Magno. Sua visão completa, conforme descrita no Livro I, Capítulo 16 do Livro da Graça Especial, encontra-se no Apêndice. Abaixo, apresenta-se um resumo de cada degrau e de sua correspondência com cada coro angélico em ordem ascendente.

Primeiro degrau — Anjos da Guarda: Aqueles que servem fielmente, com humildade e devoção, na Igreja de Deus e, por amor a Ele, servem aos enfermos, aos peregrinos, aos pobres e a todos os que, demonstrando amor uns pelos outros, se ajudam mutuamente.

Segundo degrau — Arcanjos: Aqueles que, pela oração e pela devoção, servem a Deus com familiaridade.

Terceiro degrau — Virtudes: Aqueles que exercitam a paciência, a obediência, a pobreza voluntária e a humildade, e praticam corajosamente todas as virtudes.

Quarto degrau — Potestades: Aqueles que se esforçam diligentemente para vencer seus vícios e desejos impuros e desprezam os demônios e suas tentações.

Quinto degrau — Principados: Aqueles que são colocados à frente de outros na Igreja e desempenham bem o ofício que lhes foi confiado, velando dia e noite pela salvação das almas.

Sexto degrau — Dominações: Aqueles que se submetem inteiramente a Deus em adoração e humildade e colocam o amor ao próximo acima de suas próprias necessidades, fazendo-o para honrar a glória de Deus. Conformam suas ações à vontade de Deus, colocando os desejos espirituais acima dos físicos, e dedicam seus pensamentos à contemplação das realidades celestes.

Sétimo degrau — Tronos: Aqueles que praticam a meditação e a contemplação, mantendo a pureza de coração, e transformam suas almas em santuários tranquilos onde habita a presença de Deus.

Oitavo degrau — Querubins: Aqueles que avançam no conhecimento de Deus pela bem-aventurança de mentes iluminadas e compartilham sua iluminação com os outros, atraindo-os para a sabedoria de Deus.

Nono degrau — Serafins: Aqueles que amam a Deus com toda a sua mente, todo o seu coração e toda a sua alma, colocando todo o seu ser na chama eterna do amor de Deus, sendo transformados por Deus e manifestando aos outros o Seu amor divino.

Santo Agostinho de Hipona, Doutor da Igreja e um dos escritores mais importantes da história da Igreja, aprofunda-se na hierarquia celeste dos anjos e santos em sua obra A Cidade de Deus. Nessa obra, Agostinho contrapõe a decaída Cidade dos Homens à eterna e gloriosa Cidade de Deus. No fim, a Cidade de Deus triunfará, quando os santos e os anjos estiverem unidos numa comunhão de graça, desfrutando juntos da Visão Beatífica como uma única Cidade celeste — o Novo Céu e a Nova Terra. No Livro 12, Capítulo 9, Agostinho explica que os anjos e os santos continuarão sendo anjos e santos, mas participarão de “uma santa comunhão” pela qual “formam a única cidade de Deus”.

Devemos, portanto, reconhecer, com o louvor devido ao Criador, que não somente dos homens santos, mas também dos santos anjos, se pode dizer que o amor de Deus é derramado em seus corações pelo Espírito Santo, que lhes é dado. Romanos 5:5 E que não somente dos homens, mas, antes e principalmente, dos anjos é verdadeiro o que está escrito: É bom aproximar-se de Deus. E aqueles que têm esse bem em comum mantêm, tanto com Aquele de quem se aproximam quanto uns com os outros, uma santa comunhão, e formam uma única cidade de Deus — Seu sacrifício vivo e Seu templo vivo.

No capítulo final, Agostinho afirma:

Quão grande será aquela felicidade [intense happiness], que não será manchada por mal algum, à qual não faltará bem algum e que proporcionará tempo livre para os louvores de Deus, que será tudo em todos!

 Ele prossegue explicando que haverá graus de glória nessa nova Cidade celeste:

Mas quem pode conceber, para não dizer descrever, quais graus de honra e glória serão concedidos aos diversos graus de mérito? Contudo, não se pode duvidar de que haverá graus. E naquela cidade bem-aventurada haverá esta grande bênção: nenhum inferior invejará qualquer superior, assim como agora os arcanjos não são invejados pelos anjos, pois ninguém desejará ser aquilo que não recebeu, embora esteja unido na mais perfeita concórdia àquele que o recebeu; assim como, no corpo, o dedo não procura ser o olho, embora ambos os membros estejam harmoniosamente integrados na estrutura completa do corpo. E assim, juntamente com seu dom, maior ou menor, cada um receberá ainda este dom de contentamento: não desejar mais do que tem.

Enquanto estamos na terra, quando vemos alguém receber bênçãos maiores do que as nossas, sejam materiais ou espirituais, muitas vezes somos tentados pela inveja. A inveja é muito penosa e difícil de superar. É reconfortante e nos enche de esperança saber que, no Céu, cada santo e cada anjo receberá o dom do contentamento, ou seja, estará em perfeita paz com quem é e com o grau de glória que receber, e se alegrará com aqueles que desfrutam de maior glória. Esse dom de paz e satisfação interior ajudará a estabelecer uma gloriosa comunhão entre todos os santos e anjos, na qual nos amaremos uns aos outros com perfeita caridade e nos alegraremos com as bênçãos que cada um recebeu.

Santos que alcançaram a glória seráfica

Em meados do século XIII, poucas décadas após a morte de São Francisco, foram registrados relatos de testemunhas diretas sobre sua vida, reunidos na Compilação de Assis (1244–1266). Um desses relatos narra uma visão que Frei Pacífico teve enquanto ele e Francisco rezavam juntos na Igreja de São Pedro, em Bovara, na Itália. Francisco havia passado a noite inteira em oração, e Frei Pacífico voltou pela manhã e o encontrou de pé, rezando diante do crucifixo. De repente, Frei Pacífico foi arrebatado em êxtase e viu muitos tronos no céu. Um dos tronos era mais elevado e glorioso do que os outros, belamente adornado com toda espécie de pedras preciosas. Enquanto se perguntava de quem seria aquele trono, ouviu uma voz retumbante: “Este era o trono de Lúcifer, e o bem-aventurado Francisco nele se sentará em seu lugar”.

Quando Frei Pacífico saiu do êxtase, prostrou-se diante de Francisco, como se Francisco já estivesse no trono no Céu. Receoso de revelar sua visão, perguntou a Francisco: “O que pensas de ti mesmo, irmão?” Francisco respondeu prontamente: “Parece-me que sou um pecador maior do que qualquer outro neste mundo.” De repente, Frei Pacífico ouviu em sua alma: “Nisto podes reconhecer que a visão que tiveste é verdadeira. Pois, assim como Lúcifer foi precipitado daquele trono por causa de sua soberba, o bem-aventurado Francisco merecerá ser exaltado e nele se sentar por causa de sua humildade.”

Quando a Basílica de São Francisco foi construída em Assis, pouco depois da morte de São Francisco, o artista Giotto di Bondone pintou vinte e oito afrescos que retratavam cenas da vida do santo. Um desses afrescos ilustra a visão dos tronos que Frei Pacífico teve. Essa é uma das razões pelas quais São Francisco é frequentemente chamado de Pai Seráfico. Além disso, no fim de sua vida, recebeu os estigmas de um Serafim, indicando seu estado de glória.

Santa Catarina de Sena é outra santa seráfica, frequentemente chamada de “Virgem Seráfica”. Isso se deve ao seu amor intenso e ardente por Deus, que refletia a intensidade e o amor presentes no coro dos Serafins. Ela também teve muitas visões, recebeu os estigmas e viveu uma vida de profunda oração, penitência e obras de caridade. Seus escritos, intitulados O Diálogo, são uma conversa entre Deus e Santa Catarina na qual se discutem a providência divina, o caminho espiritual e a relação entre o amor e o sofrimento, oferecendo uma compreensão profunda da natureza de Deus e do caminho para a união mística com Ele.

Nossa missão última na vida deve ser alcançar a glória que os Serafins experimentam, a Glória Seráfica. Esse profundo grau de glória eterna é a recompensa daqueles que sobem até o topo da escada espiritual da conversão e da transformação interior. Embora, tradicionalmente, essa altura seja chamada de União Divina ou Matrimônio Místico, aqui nos referimos a ela a partir da perspectiva celeste, identificando a recompensa eterna concedida àqueles que alcançam esse grau mais elevado de santidade — a Glória Seráfica!

Resumo

A relação entre as almas humanas e a Hierarquia Celeste, conforme ensinada pelos santos e pela tradição católica, é verdadeiramente admirável. Como ensinou Santo Tomás de Aquino, embora os seres humanos e os anjos permaneçam distintos em suas naturezas, estão unidos em uma única experiência hierárquica de glória eterna no Céu. Pela graça e pelo mérito, os seres humanos participam da Hierarquia Celeste de glória em comunhão com a natureza das ordens angélicas. Os ensinamentos de São Boaventura oferecem uma compreensão mais profunda de como os nove coros dos anjos correspondem a etapas da ascensão espiritual, guiando a alma desde o arrependimento inicial até a união plena com Deus. Por meio da experiência dos místicos e das reflexões teológicas dos santos, compreendemos que o caminho para os graus mais elevados de glória — a Glória Seráfica — é marcado por uma união cada vez mais profunda com Deus e por uma conformidade sempre crescente com a Sua vontade divina.

Próximo: Capítulo Seis — Teologia Espiritual e Mística

Sumário

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