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Décimo primeiro dia: Criação

Segunda-feira da Segunda Semana da Quaresma

O relato de São Marcos sobre o tempo de Jesus no deserto diz que Ele “estava entre as feras…” (Marcos 1:13). No princípio, quando Deus criou os céus e a terra, as “feras” não eram “selvagens”. Eram perfeitamente mansas, e toda a Criação vivia em perfeita harmonia.

Como Jesus tinha muito tempo para a oração e a meditação no deserto, teria deixado que a presença dessas feras Lhe recordasse visivelmente a desordem da Criação. No plano original de Deus, no Jardim do Éden, os animais não eram predadores nem presas. Deus provia o seu sustento. Mas, como toda a criação foi afetada pela queda de Adão e Eva, até os animais agora sofrem os efeitos deste mundo decaído. Assim, os animais morrem, devoram uns aos outros e sofrem com doenças, fome e violência. Seu senso de sobrevivência é um instinto que espelha o egocentrismo ao qual todos tendemos na vida. Essas características não estavam presentes no princípio dos tempos, antes dos efeitos do Pecado Original.

Imagine a cena em que Jesus Se deparava com feras agindo por impulso, devorando umas às outras para se alimentar, sendo mortas, com carcaças apodrecendo no calor e até com a aridez das poucas plantas que tentavam sobreviver. Embora os animais sejam incapazes de escolhas morais, a desordem natural da qual agora participam teria permitido a nosso Senhor contemplar com Seus próprios olhos os efeitos do Pecado Original. Ao ponderar esses efeitos, Ele teria ansiado pela transformação completa deste mundo decaído na Nova Criação que veio estabelecer. Teria antecipado os gloriosos Novos Céus e a Nova Terra, quando o “lobo será hóspede do cordeiro, o leopardo se deitará com o cabrito; o bezerro e o leãozinho pastarão juntos, e uma criancinha os guiará” (Isaías 11:6). Teria ansiado por esse tempo futuro em que as plantas cresceriam com uma fecundidade superabundante, a doença e a morte entre os animais irracionais e a vegetação cessariam, e a própria natureza passaria por uma transformação que ultrapassa até mesmo a abundância e a harmonia do Jardim do Éden.

Embora todas as coisas sejam feitas à imagem e semelhança de Deus, “toda a criação geme em dores de parto até agora”, enquanto aguarda sua redenção (ver Romanos 8:22). Portanto, por mais bela que seja a criação, o mundo criado dos animais, das paisagens e da vegetação é um reflexo imperfeito de Deus. Jesus teria plena consciência desse fato, pois Sua mente conhecia perfeitamente não apenas o estado de Inocência Original no Jardim do Éden, mas também a futura transformação do mundo criado em algo muito mais glorioso e que refletiria muito mais a Deus, o Criador.

Medite hoje sobre a beleza da criação de Deus ao encontrá-la neste mundo decaído. Primeiro, procure ver a beleza de Deus Criador refletida na criação. Depois, procure imaginar como será a criação quando os Novos Céus e a Nova Terra forem estabelecidos no fim dos tempos. As “feras” já não serão “selvagens”. A harmonia será perfeita, a terra será superabundante, não haverá mais predadores nem presas, e Deus Se manifestará perfeitamente a nós por meio do Novo Mundo que Ele estabelecerá.

Senhor da Criação, embora Vosso ato de Criação tenha sido perfeito, o pecado de Adão e Eva introduziu a desordem. Durante esta vida, ajudai-me a enxergar além da desordem atual da Criação, para que eu possa descobrir-Vos, refletido em tudo o que criastes. Ajudai-me também a aguardar aquele glorioso dia que há de vir, quando tudo neste mundo será renovado, a harmonia será restabelecida, a doença será eliminada, e Vossa glória e beleza serão vistas em tudo o que criastes. Jesus, eu confio em Vós.

Veja também: Décimo primeiro dia: 40 Dias aos Pés da Cruz

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