Ser o sal da terra
5º Domingo do Tempo Comum, Ano A
Jesus disse aos seus discípulos: “Vós sois o sal da terra. Mas, se o sal perder o sabor, com que se há de salgar? Já não serve para nada, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens.” Mateus 5:13
Não se torne um “sal” que perde o sabor! O destino desse tipo de sal é ser jogado fora e pisado. Mas como é que perdemos o nosso sabor?
Antes de tudo, comecemos pela finalidade do sal. É um tempero maravilhoso que dá sabor aos alimentos. O sal, por si só, não é tão saboroso. Mas, quando acrescentado a diversos alimentos, mistura-se a eles e os enriquece muito.
Somos chamados a ser o “sal da terra”. E, assim como o sal, não fomos feitos simplesmente para ser a estrela e o centro das atenções. Não fomos feitos apenas para nós mesmos. Pelo contrário, é nosso dever cristão atuar no mundo e enriquecê-lo, ajudando a transformá-lo em um mundo de graça e misericórdia, cheio do “sabor” do Reino de Deus. Isso se faz, sobretudo, pela construção de relacionamentos. Faz-se pelo esforço de tocar a vida de uma pessoa de cada vez, para torná-la melhor e ajudá-la a estar mais próxima de Cristo. O amor de Deus que levamos ao nosso mundo e à vida daqueles que encontramos pode ser visto, por analogia, como o sal que se mistura ao alimento e realça seu sabor.
Agora, voltemos à nossa primeira pergunta. Como perdemos o nosso sabor? Em outras palavras, como deixamos de ser o “sal da terra”? Isso acontece quando atuamos no mundo, encontramos diversas pessoas e não tornamos a vida delas verdadeiramente melhor. Quando nossa presença na vida dos outros tem pouco ou nenhum efeito para o bem, nossas ações são como o sal sem sabor, que só serve para ser jogado fora e “pisado”. Isso nos revela que temos o dever de influenciar a vida dos outros. Temos o dever de fortalecer a bondade e a fé daqueles que encontramos com frequência. Se não fazemos a diferença na vida dos outros, perdemos de vista a razão de ser desses relacionamentos e deixamos de ser o sal da terra.
Reflita hoje sobre esse dever que Cristo lhe confiou. Reflita sobre o chamado que você recebeu para fazer a diferença na vida dos outros. Quando os outros crescem na fé e no amor como resultado de sua presença na vida deles, você está cumprindo esse mandamento tão fundamental de Cristo. Comprometa-se a ser o sal da terra, para que este nosso mundo seja um lugar melhor, cheio do sabor do Reino de Deus.
Senhor de toda bondade, eu me ofereço a Ti para o Teu serviço e para a Tua glória. Peço que Te sirvas de mim para transformar nosso mundo em um lugar santo, onde habite a Tua bondade. Agradeço-Te pelo privilégio de ser instrumento em Tuas mãos e peço que Te sirvas de mim como desejares. Jesus, eu confio em Ti.
Quando a vida é uma “labuta”
5º Domingo do Tempo Comum, Ano B
Jó falou, dizendo: Não é a vida do homem sobre a terra uma labuta?
Meus dias são mais velozes que a lançadeira de um tecelão; chegam ao fim sem esperança. Lembra-Te de que minha vida é como o vento; não voltarei a ver a felicidade. Jó 7:1, 6-7
O curioso é que, assim que essa leitura termina na Missa, toda a assembleia responde: “Graças a Deus!” Será mesmo? Essa leitura merece que demos graças a Deus? Queremos realmente agradecer a Deus por uma expressão de tamanha dor? Certamente que sim.
Jó estava claramente expressando sentimentos que todos nós enfrentamos às vezes. Ele fala de uma noite sem dormir. Da sensação de perder a esperança. De meses de sofrimento. E assim por diante. Esperamos que esses sentimentos não sejam uma ocorrência diária. Mas eles são reais, e todos os experimentam às vezes.
A chave para compreender essa passagem é olhar para toda a vida de Jó. Embora ele se sentisse assim, isso não determinou suas decisões. Ele não cedeu ao desespero definitivo, não desistiu; perseverou. E valeu a pena! Permaneceu fiel a Deus em meio à tragédia de perder tudo o que lhe era precioso e nunca perdeu a fé e a esperança em seu Deus. Em sua hora mais sombria, até seus amigos vieram dizer-lhe que ele estava sendo castigado por Deus e que tudo estava perdido para ele. Mas ele não lhes deu ouvidos.
Lembre-se de suas palavras poderosas: “O Senhor deu, o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor!” Jó louvava a Deus pelas coisas boas que recebia na vida, mas, quando elas lhe foram tiradas, continuou a bendizer e louvar a Deus. Essa é a lição e a inspiração mais importantes da vida de Jó. Ele não se deixou dominar pelo que sentia na leitura acima. Não permitiu que o desespero que o tentava o impedisse de louvar e adorar a Deus. Ele O louvava em TODAS as coisas!
A tragédia de Jó aconteceu por uma razão. Foi para nos ensinar essa lição essencial sobre como lidar com os pesados fardos que a vida pode nos impor. É interessante notar que, para aqueles que carregam fardos pesados, Jó é uma verdadeira inspiração. Por quê? Porque podem se identificar com ele. Podem se identificar com sua dor e aprender com sua perseverança na esperança.
Reflita, hoje, sobre Jó. Deixe que a vida dele inspire você. Se algum fardo em particular estiver pesando sobre você, procure louvar e adorar a Deus mesmo assim. Dê a Deus a glória devida ao Seu nome simplesmente porque ela é devida ao Seu nome, e não porque você tem ou não vontade de fazê-lo. Nisso, você descobrirá que seu pesado fardo leva ao seu fortalecimento. Você se tornará mais fiel ao permanecer fiel quando isso for muito difícil. Jó fez isso, e você também pode fazer!
Senhor digníssimo, quando a vida for difícil e o fardo for pesado, ajuda-me a aprofundar minha fé em Ti e meu amor por Ti. Ajuda-me a amar-Te e adorar-Te, pois é bom e justo fazê-lo em todas as coisas. Eu Te amo, meu Senhor, e escolho louvar-Te sempre! Jesus, eu confio em Ti.
As águas profundas da fé
Quinto Domingo do Tempo Comum, Ano C
“Avança para águas mais profundas e lançai vossas redes para a pesca.” Lucas 5:4
É interessante notar que Jesus não disse simplesmente a Pedro e aos Apóstolos que avançassem sobre as águas; em vez disso, disse-lhes que avançassem para as “águas profundas”. Isso é significativo.
Ao término do Grande Jubileu do ano 2000, o Papa São João Paulo II escreveu uma carta apostólica, Novo Millennio Ineunte, que iniciou citando esta passagem do Evangelho. Essa passagem deu o tom ao restante de sua carta, na qual ele conclamou a uma nova evangelização para o milênio que se iniciava.
“Avança para águas mais profundas!” O que devemos aprender com isso? O que devemos ouvir Jesus nos dizer? Devemos ouvi-Lo nos chamar a “lançar nossas redes” de maneira incansável e comprometida, a fim de atrair muitos outros ao Evangelho. Quando Pedro e os Apóstolos fizeram isso no barco, apanharam tantos peixes que suas redes estavam se rompendo, e ficaram profundamente admirados. Esse é um gesto profético que nos foi dado para nos dizer que devemos evangelizar com o máximo entusiasmo e zelo, buscando por toda parte as ovelhas perdidas de Deus.
O mundo em que vivemos pode ser brutal às vezes. Tantas pessoas estão perdidas e confusas. O pecado se alastra e o desespero predomina. Nosso mundo precisa desesperadamente de um Salvador, e somos nós que Jesus deseja usar para realizar uma pesca abundante e encontrar os que mais necessitam. Jesus quis que os Apóstolos pescassem nas águas profundas como uma forma de dizer que há inúmeras almas em nosso mundo que estão longe de Deus. Há muitas pessoas “nadando” em um oceano de confusão e dor. São essas pessoas, em particular, que Jesus quer atrair para Si. É nossa responsabilidade atender à ordem de nosso Senhor e ir à procura delas.
Reflita hoje sobre estas palavras de Jesus: “Avança para águas mais profundas”. De que maneira Jesus está lhe pedindo isso? Como Ele o está chamando a sair de sua zona de conforto e “lançar suas redes”? O que Ele quer de você e como deseja usá-lo para levar adiante a missão de evangelização? Atenda à Sua ordem e você também ficará maravilhado com os bons frutos que surgirão!
Senhor de infinita misericórdia, desejo entregar-me a Vós para o Vosso serviço e a Vossa glória. Desejo partir, à Vossa ordem, em busca das almas que mais necessitam da Vossa abundante misericórdia. Dai-me a graça de que preciso para ser fiel ao chamado que me fizestes, para que a Vossa amorosa misericórdia alcance os que mais necessitam. Jesus, eu confio em Vós.
“Apressando-se” em busca de Jesus
Segunda-feira da Quinta Semana do Tempo Comum
Assim que saíram da barca, as pessoas o reconheceram. Percorreram às pressas toda a região e começaram a levar os doentes em esteiras para onde ouviam dizer que ele estava. Marcos 6:54-55
Jesus fez com que as pessoas “se apressassem”. É uma palavra interessante de se usar e uma reação interessante por parte das pessoas. O que significa “apressar-se” e o que isso nos revela sobre elas?
“Apressar-se” significa mover-se rapidamente e com um propósito, com passos curtos e ligeiros. É uma palavra muito específica que identifica uma ação muito específica. As pessoas não estão apenas se dirigindo rapidamente a Jesus; estão se apressando.
Ao pensar nessa imagem das pessoas se apressando, ela parece revelar uma certa intensidade com que procuravam Jesus. A descrição de como corriam até Ele com passos curtos e rápidos revela que estavam decididas a chegar até Ele, embora parecessem ter algo mais em mente. O que tinham em mente? A cura. Sabiam que Jesus seria uma fonte de verdadeira cura para os doentes e, por isso, com grande empenho, levavam-nos a Jesus onde quer que Ele estivesse.
Em certo sentido, é assim que devemos nos aproximar de Jesus em nossa vida de fé. Devemos reconhecê-Lo como a fonte de toda cura, especialmente a espiritual, e manter nossa mente voltada para Ele como o Médico Divino. Nosso anseio e a intensidade com que O buscamos devem ocupar toda a nossa atenção.
Reflita hoje sobre essa interessante imagem que nos é apresentada nestas Sagradas Escrituras. Procure colocar-se nessa cena do Evangelho, ponderando se você precisa de mais determinação e intensidade em seu desejo de estar com Jesus. Ele é a fonte de toda graça e misericórdia, e é o Médico Divino que espera que você vá até Ele com todas as suas necessidades. Apresse-se em ir até Ele e deixe que Ele derrame a Sua graça.
Meu Senhor que cura, aumentai meu anseio por Vós e meu desejo de estar convosco. Ajudai-me a reconhecer que sois o Médico Divino por quem minha alma anseia. Ajudai-me a confiar sempre em Vós, recorrendo a Vós para que todas as minhas necessidades e todos os meus anseios sejam atendidos. Jesus, eu confio em Vós.
O perigo da hipocrisia
Terça-feira da Quinta Semana do Tempo Comum
“Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, como está escrito:
Este povo Me honra com os lábios, mas seu coração está longe de Mim; em vão Me prestam culto, ensinando como doutrinas preceitos humanos.” Marcos 7:6-8
Mais uma vez, Jesus disse a dura verdade que os fariseus precisavam ouvir. Disse-lhes diretamente que eram hipócritas e que era deles que Isaías falava na passagem citada. Certamente foi uma cena tensa.
Deixando de lado o caráter dramático desse encontro, olhemos mais atentamente para a própria citação de Isaías. Ela diz quatro coisas:
- Este povo me honra com os lábios.
2. Seus corações estão longe de mim.
3. Prestam culto em vão.
4. Apresentam suas próprias leis humanas como se fossem as de Deus.
Como seria a transformação ideal desses erros de hipocrisia? Se os fariseus mudassem completamente, o que Jesus poderia dizer a respeito deles? Talvez dissesse o seguinte:
1. O culto que me prestas é santo porque verdadeiramente abraças minha vontade divina em tua vida.
Por isso, a honra que me dás com teus lábios brota de teu coração puro, cheio de fé e amor.
Então, qual é a mensagem central que devemos levar disso para nossa própria vida? Devemos tirar daí duas verdades simples. Primeiro, a vontade de Deus deve tomar conta de nossa vida e tornar-se a base e o fundamento de tudo. Sua vontade, Sua lei e Seus preceitos são nosso alicerce rochoso. Deus estabeleceu Sua verdade como a base da vida humana, e devemos nos esforçar para abraçar humildemente Sua lei.
Sua lei inclui todos os ensinamentos da nossa fé revelados publicamente, encontrados na Escritura e na Igreja, e inclui tudo o que ouvimos Deus nos dizer em nossa própria vida. Os fariseus, por sua falta de humildade, não conseguiam ver essas verdades. Em vez disso, apegavam-se apenas às próprias ideias e convicções. Por amor, Deus os repreendeu severamente por isso.
Em segundo lugar, devemos compreender que, quando acolhemos a lei divina e a vontade particular de Deus para nossa vida, seremos puros de coração e estaremos livres para amá-Lo com expressões exteriores. Nós O adoraremos de coração, e isso transbordará em nossas palavras e ações. Mas isso nunca acontecerá se não começarmos por Sua lei divina.
Reflita hoje sobre se você está disposto a acolher humildemente todas as verdades que Deus revelou e se está disposto a fazer delas o fundamento de sua vida. Se fizer isso, todo o resto fluirá em amor e adoração.
Senhor de toda a Verdade, ajudai-me a amar Vossa santa e divina lei. Ajudai-me a abraçá-la de todo o coração. Creio em Vós e em tudo o que dissestes ao longo dos séculos. Creio no que dizeis ao meu coração a respeito de minha própria vida. Dai-me a graça de abraçar Vossa santa vontade e, ao abraçá-la, ser transformado tanto interior como exteriormente. Jesus, eu confio em Vós.
Por que fazemos o que fazemos?
Quarta-feira da 5ª Semana do Tempo Comum
“Nada que entra numa pessoa vindo de fora pode torná-la impura; mas as coisas que saem de dentro é que a tornam impura.” Marcos 7:15
Por outro lado, aquilo que vem de dentro é o que torna uma pessoa santa!
Muitas vezes, estamos mais preocupados com o que está por fora do que com o que está por dentro. Com frequência, nos preocupamos excessivamente com a maneira como os outros nos veem, com nossa aparência ou com nossa reputação aos olhos do mundo. Este Evangelho trata especificamente da acusação dos fariseus de que comer certos alimentos torna alguém impuro. Jesus não aceita essa ideia. Ele dirige nossa atenção para o nosso coração. O que há em nosso coração? E o que é que sai do coração? É isso que faz de nós quem somos.
Embora trate da preocupação de que certos alimentos tornem alguém impuro, essa passagem também trata de muito mais. Ela aborda a tendência a uma observância puramente exterior da lei de Deus. Assim, aborda a tendência dos fariseus de se preocuparem excessivamente com a maneira como são vistos pelos outros. Sua observância exterior da lei revela que eles parecem se preocupar demais com o que os outros pensam e dizem a seu respeito. Querem parecer santos. Querem parecer estar acima até mesmo dos menores deslizes. Mas tudo isso é aparência, não realidade.
Por essa razão, Jesus volta a atenção para o interior. Deus vê o que há em nosso coração. Mesmo que ninguém mais veja isso, nunca devemos nos esquecer de que Deus vê tudo. Só isso importa. Aquilo que está em nosso coração pode nos fazer muito mal ou muito bem. Há pessoas que, aos olhos do público, estão completamente equivocadas. Mas, aos olhos de Deus, estão no caminho certo. Por outro lado, há pessoas que são estrelas brilhantes na opinião pública, mas, aos olhos de Deus, estão completamente equivocadas. Só há uma coisa que importa: o que Deus pensa?
Reflita hoje sobre o que há dentro de seu coração. Esse exame interior também deve levá-lo a olhar para suas motivações. Por que você faz o que faz e por que toma as decisões que toma? São escolhas que nascem de um coração honesto e sincero? Ou são escolhas que se baseiam mais na maneira como você será visto? Que suas motivações sejam puras. E que essas motivações puras venham de um coração profundamente unido ao coração de Cristo.
Senhor de toda pureza, peço-Vos que purifiqueis minhas intenções. Ajudai-me a viver somente a partir de um coração puro. Ajudai-me a reconhecer sempre que a santidade se encontra apenas em servir a Vós, e não em servir à minha imagem pública. Eu Vos amo, meu Senhor. Jesus, eu confio em Vós!
Uma manifestação de fé
Quinta-feira da 5ª Semana do Tempo Comum
Logo, uma mulher cuja filha tinha um espírito impuro ouviu falar dele. Ela veio e caiu a seus pés. A mulher era grega, de origem siro-fenícia, e suplicava-lhe que expulsasse o demônio de sua filha. Ele lhe disse: “Deixa que primeiro os filhos se saciem. Pois não é certo tirar o alimento dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos.” Marcos 7:25-27
Por que Jesus falou daquela maneira com essa mulher? Ela se aproxima d’Ele, provavelmente com temor e tremor, prostra-se aos Seus pés e Lhe implora que ajude sua filha. À primeira vista, seria de esperar que Jesus a acolhesse com mansidão e compaixão, perguntasse sobre sua filha e lhe dissesse: “Oh, certamente ajudarei sua filha. Leve-me até ela”. Mas não é isso que Ele diz. Ele lhe diz que “não é certo tirar o alimento dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos”. Ai! É mesmo? Ele realmente disse isso? Por que diria uma coisa dessas?
Antes de tudo, precisamos saber que tudo o que Jesus diz é um ato de amor. É um ato da maior bondade e misericórdia. Sabemos disso porque é assim que Jesus é. Ele é o próprio amor e a própria misericórdia. Então, como conciliar essa aparente contradição?
A chave para compreender esse encontro é olhar para o resultado final. Precisamos observar como essa mulher respondeu a Jesus e como a conversa terminou. Ao fazer isso, vemos que a mulher responde com uma humildade e uma fé incríveis. O que Jesus diz é verdade. De certo modo, podemos entender Suas palavras no sentido de que ninguém tem direito à Sua graça e à Sua misericórdia. Ninguém, nem ela nem sua filha, “merece” que Deus aja em sua vida. Jesus sabe disso e, ao dizer o que diz, dá a essa mulher uma maravilhosa oportunidade de manifestar sua profunda fé para que todos a vejam. Suas palavras permitem que ela brilhe como um farol de fé, esperança e confiança. Esse é o objetivo de Jesus, e ele foi alcançado. Foi alcançado porque, quando ela se aproximou d’Ele, Ele percebeu imediatamente que ela de fato tinha uma fé profunda. Ele sabia que ela responderia com humildade e confiança. A mulher assim o fez, e por isso podemos testemunhar a manifestação de sua fé e humildade.
Reflita, hoje, sobre a bela fé dessa mulher humilde. Procure colocar-se no lugar dela e ouvir Jesus dizer essas mesmas palavras a você. Como você responderia? Responderia com raiva ou inquietação? Seu orgulho ficaria ferido? Ou responderia com uma humildade ainda mais profunda, reconhecendo que tudo o que Deus dá é um dom que não temos o direito de receber? Responder dessa maneira é, muito provavelmente, o ato de fé que Deus espera de cada um de nós e é a chave para esse derramamento de Sua misericórdia de que tanto precisamos.
Senhor da verdadeira humildade, peço-Vos que me torneis humilde. Despojai-me do meu orgulho. Ajudai-me a prostrar-me aos Vossos pés. Ajudai-me a confiar tão profundamente em Vós que, pelo meu amor por Vós, sejais impelido a abrir os Vossos tesouros de graça e a derramá-la sobre mim. Jesus, eu confio em Vós.
A autoridade de Deus
Sexta-feira da 5ª Semana do Tempo Comum
“Efatá!” (isto é, “Abre-te!”) E imediatamente os ouvidos do homem se abriram. Marcos 7:34-35
Com que frequência você ouve Jesus lhe dizer isso? “Efatá! Abre-te!” Ou com que frequência você O ouve falar com você com tamanha autoridade?
Será que Jesus disse isso apenas porque esse homem era fisicamente surdo e Ele queria curá-lo fisicamente? Ou há um significado mais profundo? Ao curar esse homem incapaz de ouvir sons físicos, Jesus nos revelava algo sobre o que deseja fazer por nós. Nessa cura, Jesus nos transmite uma mensagem clara e mais profunda. Certamente há muitas mensagens que podemos extrair dessa passagem. Vejamos uma delas.
A mensagem está na ordem de Jesus: “Abre-te!” São palavras poderosas que ordenam uma ação. Não são palavras que deixam margem à escolha. São claras e definitivas. “Abre-te” não é uma pergunta, nem um convite; é uma ordem. Isso é significativo!
Essas duas pequenas palavras revelam que Jesus está decidido a agir. Revelam que Ele não hesita nem um pouco nessa escolha. Ele tomou Sua decisão e expressou Sua vontade. E essa ação de Sua parte é o que faz a diferença. Essas duas pequenas palavras revelam que Deus não é indeciso quando fala. Ele não é tímido nem inseguro. É absoluto e claro.
Essa compreensão deve nos trazer grande consolo. Consolo por sabermos que Jesus está pronto e disposto a exercer Sua autoridade onipotente. Ele tem, de fato, todo o poder e não teme exercer essa autoridade quando quer. Acima de tudo, Ele quer exercer Sua autoridade quando isso produzir o maior bem em nossa vida.
Isso deve nos trazer grande conforto, pois podemos confiar que esse Deus todo-poderoso é todo-poderoso e está no controle. Se Ele tem domínio até mesmo sobre o mundo natural (a audição física), então certamente tem domínio também sobre o mundo espiritual. Ele é capaz de realizar tudo o que é bom.
Quando percebemos que estamos na presença d’Aquele que não é apenas todo-poderoso, mas também pleno de amor e misericórdia, devemos poder dar um grande suspiro de alívio e depositar n’Ele nossa confiança absoluta. Ele é capaz de assumir o controle e está inteiramente disposto a fazê-lo.
Reflita hoje sobre essas duas pequenas palavras. Deixe que essa autoridade santa e divina de Jesus assuma o controle da sua vida. Deixe que Ele lhe dê Suas ordens. Suas ordens são amor e misericórdia perfeitos. São palavras que o conduzirão ao seu bem último. E esse Deus todo-poderoso é digno de toda a sua confiança.
Senhor todo-poderoso, eu confio em Vós e sei que tudo podeis. Sei que desejais ter plena autoridade em minha vida. Ajudai-me a entregar minha vida inteiramente a Vós e a confiar em Vós o bastante para que dirijais e comandeis cada ação da minha vida. Jesus, eu confio plenamente em Vós!
Atraídos por Jesus, levados à misericórdia para com os outros
Sábado da 5ª Semana do Tempo Comum
“Meu coração se comove de compaixão pela multidão, porque já faz três dias que estão comigo e não têm o que comer. Se eu os mandar para casa com fome, desfalecerão pelo caminho, e alguns deles vieram de muito longe.” Marcos 8:2-3
Essa passagem revela alguns pontos interessantes para nossa reflexão. Vejamos brevemente três deles.
Primeiro, é importante notar que as multidões se sentiam tão atraídas por Jesus que estavam dispostas a passar três dias com Ele, ouvindo-O num lugar deserto, apesar de estarem sem alimento. Escolheram Jesus e Seu ensinamento em vez do alimento e do conforto de suas próprias casas. Isso revela o interesse inabalável que as pessoas tinham por Jesus e por Seu ensinamento. Revela o quanto se sentiam atraídas por Ele. Era como se nada mais importasse. Queriam simplesmente estar com Jesus.
Em segundo lugar, essa passagem revela a profunda solicitude de Jesus pelo povo. Seu coração se comoveu de compaixão por eles. Ele estava grato pela presença deles, mas Se preocupava mais com o bem-estar físico deles do que eles próprios.
Em terceiro lugar, ela também revela algo bastante sutil, mas profundo. Ao identificar o problema de as pessoas estarem há tanto tempo sem alimento, Jesus convida os Apóstolos a enxergá-lo. Note que Ele não resolve o problema de imediato. Não lhes diz imediatamente o que fazer. Em vez disso, simplesmente explica o problema. Por quê?
Talvez uma das razões seja que Jesus estivesse procurando cultivar no coração dos Apóstolos o amor e a preocupação pelas pessoas. Talvez fosse um momento em que Ele os estivesse provando e formando para pensar nas necessidades das pessoas. Ao simplesmente apresentar a questão de início, Jesus colocou aquelas pessoas diante dos Apóstolos para que eles também pudessem crescer numa compaixão sincera por elas. Talvez Jesus quisesse que o coração deles se comovesse “de compaixão pela multidão”, assim como o Seu.
Reflita hoje sobre três coisas. Primeiro, você se sente atraído por Jesus com tamanha intensidade que Ele se torna o centro da sua vida? O anseio por Ele inunda o seu coração e consome a sua alma? Segundo, você tem consciência do profundo cuidado que Jesus tem por você? Você tem consciência de que o coração d’Ele “se comove de compaixão” por você todos os dias? Terceiro, você consegue permitir que o amor e a compaixão que Jesus lhe oferece sejam, por sua vez, oferecidos aos outros? Você consegue enxergar o “dilema” das necessidades dos outros? E, ao enxergar essas necessidades, procura estar ao lado deles para ajudá-los? Comprometa-se com esses três ensinamentos. Se assim fizer, você também será digno de ser chamado um de Seus discípulos.
Senhor, que tomais todo o meu ser, ajudai-me a ser atraído a Vós com intensidade e anseio. Ajudai-me a reconhecer em Vós a fonte de tudo o que anseio e de que preciso na vida. Que eu Vos escolha acima de tudo, confiando e sabendo que satisfareis todos os meus desejos. Ao voltar-me intensamente para Vós, enchei meu coração de abundante misericórdia por todos. Jesus, eu confio em Vós.
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