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Sétima Semana do Tempo Comum

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Sumário

Amar até os seus inimigos

7º Domingo do Tempo Comum (Ano A)

“Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem, para que sejais filhos do vosso Pai celeste, pois Ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e faz cair a chuva sobre justos e injustos.” Mateus 5,43–45

Em nenhuma parte do Antigo Testamento se diz que devemos odiar os nossos inimigos. Observe que Jesus não disse: “Está escrito…” Em vez disso, Ele diz: “Ouvistes que foi dito…” Então, quem disse isso? Algumas tradições entre os escribas e fariseus sustentavam essa crença errônea. Como alguns defendiam essa posição, Jesus tratou dela.

Nesta passagem e em muitas outras, Jesus nos chama a uma nova profundidade de amor que muitos julgavam impossível. De fato, o próprio Jesus reconheceu a grandeza de seu ensinamento quando, ao concluir esta passagem, diz: “Portanto, sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito.” Com demasiada frequência, na vida, contentamo-nos com qualquer coisa que não seja a perfeição. E, embora talvez nunca alcancemos esse grau de santidade nesta vida, ele deve ser a nossa meta constante. Quanto aos nossos “inimigos”, amá-los perfeitamente deve se tornar a nossa missão diária.

Então, quem é o seu “inimigo”? Embora Jesus não o defina para nós, devemos considerar como tal qualquer pessoa com quem haja alguma forma de tensão ou discórdia. Talvez haja alguém que odeie você ou não goste de você, fale mal de você ou o trate mal. Ou talvez haja alguém de quem você não gosta e de quem sente raiva, ou a quem até mesmo costuma julgar. Comece, então, procurando identificar todas as pessoas por quem você não tem um afeto perfeito. Na verdade, pode haver muito mais pessoas nessa lista do que na lista daqueles que você “ama”.

Depois de identificar aqueles que, em maior ou menor grau, se enquadram na categoria de inimigos, considere se você os ama. Um Padre da Igreja diz que amamos o nosso inimigo “quando não nos entristecemos com o seu sucesso nem nos alegramos com a sua queda”. Essa é uma definição muito útil para a nossa reflexão. Em última análise, essa é a definição de inveja.

Se alguém de quem você não gosta tem êxito em algo louvável, como você reage interiormente? Se há uma reação visceral imediata ou se você se pega tentando entender por que essa pessoa deveria receber os parabéns, então talvez você esteja lutando contra esse pecado. Ou considere o que você pensa, diz ou sente ao saber que alguém de quem não gosta está com algum problema, se envolve em alguma dificuldade ou sofre algum infortúnio. A resposta ideal é a empatia e o desejo de que essa pessoa esteja bem. Se essa não é a sua resposta interior, preste atenção nisso.

Jesus conclui seu ensinamento dizendo que seu Pai “faz nascer o seu sol sobre maus e bons e faz cair a chuva sobre justos e injustos”. Em outras palavras, Deus concede seu amor e sua misericórdia perfeitos a todos igualmente. A única diferença é que algumas pessoas escolhem aceitar essa misericórdia e outras a rejeitam. Quanto a nós, assim como o nosso Deus amoroso, devemos oferecer amor e misericórdia a todos igualmente e da maneira mais plena que pudermos. E, embora alguns possam rejeitar esse amor, assim como rejeitam o amor de Deus, ele deve ser sempre oferecido e nunca retirado. Isso é amor ao próximo e também amor aos nossos inimigos.

Reflita, hoje, sobre aqueles que você tem dificuldade de amar perfeitamente. Talvez essa lista seja longa. Comece por aqueles com quem você se encontra com mais frequência ou por aqueles que provocam em você uma forte reação negativa. Ao trazê-los à memória, reze por eles, pelo bem deles e para que Deus os abençoe. Procure ver alguma bondade neles. Procure agradecer a Deus por eles e afastar quaisquer sentimentos ou pensamentos desordenados que você possa ter a respeito deles. Esse é o primeiro passo na sua missão de cumprir o novo mandamento de amor de Jesus.

Meu amoroso Senhor, Vós amais e derramais a Vossa misericórdia sem limites sobre todas as pessoas, boas e más. Peço que eu esteja sempre aberto a esse amor e o acolha profundamente em minha vida. Peço também que o Vosso amor brilhe através de mim na vida daqueles que mais precisam dele. Jesus, eu confio em Vós.


Fome espiritual

7º Domingo do Tempo Comum (Ano B)

Quando Jesus voltou a Cafarnaum, depois de alguns dias, soube-se que Ele estava em casa. Muitos se reuniram, de modo que já não havia lugar para eles, nem mesmo junto à porta, e Ele lhes anunciava a palavra. Marcos 2:1–2

O Evangelho de hoje se situa no início do ministério público de Jesus. Ele começou Seu ministério na sinagoga de Cafarnaum, curou muitos dos doentes daquela cidade, percorreu a Galileia pregando e realizando milagres e, depois, voltou a Cafarnaum, que havia se tornado a base de Sua missão. A passagem acima apresenta o contexto do próximo milagre de Jesus: a cura do paralítico que foi descido pelo teto da casa onde Jesus ensinava. Mas essas duas frases que introduzem o milagre nos oferecem muito sobre o que refletir.

Antes de tudo, considere as conversas e a agitação naquela cidade desde a partida de Jesus até Seu retorno. Em Sua visita anterior, as multidões também se reuniram junto à porta da casa onde Ele estava, a ponto de não haver lugar para todos. Na manhã seguinte, Jesus saiu sozinho, e todos O procuravam. Mas Ele tomou Seus discípulos e partiu por algum tempo para visitar outras cidades. Então, ao voltar a Cafarnaum, Jesus encontrou a mesma situação. As multidões eram imensas, e todos queriam vê-Lo e ouvi-Lo.

Por que Jesus partiu da cidade de Cafarnaum? Havia tamanha agitação que as pessoas ficaram surpresas com Sua partida repentina. Mas Ele de fato partiu, retornando somente depois de percorrer muitos lugares para pregar e curar em diversas cidades. Talvez houvesse duas razões para Sua partida. Primeiro, Ele simplesmente queria alcançar muitas outras pessoas, por isso viajou, pregou e curou. Segundo, é também provável que Jesus tenha visto valor em deixar as pessoas daquela cidade com fome espiritual por algum tempo. A semente havia sido plantada, e agora Ele discernia que era melhor partir, para que as pessoas pudessem passar algum tempo meditando sobre sua experiência inicial com Ele. Assim, quando Ele voltou, as pessoas haviam tido tempo suficiente para refletir sobre os primeiros milagres e ensinamentos de Jesus e assimilá-los e, portanto, tiveram a oportunidade de acolhê-Lo na fé ou rejeitá-Lo interiormente. Quando Ele retornou, aqueles cuja fé se fortalecera pela meditação voltaram em busca de mais.

De muitas maneiras, é assim que nosso Senhor nos trata em nossa vida espiritual. Às vezes, podemos ter uma experiência intensa de Sua ação divina em nossa vida. Podemos ter um encontro profundo com Ele por meio de uma pregação, de um retiro, de um livro, das Escrituras ou durante um momento de oração. Quando isso acontece, muitas vezes queremos mais imediatamente. Mas o que costuma acontecer é que a experiência e a consolação iniciais começam a se dissipar, e podemos nos perguntar para onde foi o Deus que nos concedeu essa experiência pessoal. A verdade é que, quando isso acontece, Deus não está de modo algum distante. Em vez disso, a ausência espiritual que sentimos é uma maneira de Ele aprofundar aquela experiência inicial de consolação e transformá-la em uma fé vivida e capaz de nos sustentar. Somos deixados com fome espiritual para que, mais tarde, possamos nos saciar com Sua misericórdia.

Reflita, hoje, sobre alguma maneira pela qual você já tenha experimentado a presença de nosso Senhor em sua vida. Aquela consolação durou? Ou se dissipou? Se ela se dissipou por algum tempo, como você reagiu? Desanimou? Ou aproveitou isso como uma oportunidade para aprofundar sua fé, mudar sua vida e buscar nosso Senhor de uma nova maneira? Deus sabe do que precisamos e quando precisamos. Confie Nele e permita que Ele conduza você em sua jornada espiritual de uma maneira que só Ele pode conduzir.

Meu Senhor consolador, Vós me alimentais com a Vossa misericórdia e, por vezes, permitis que eu sinta fome espiritual de mais. Nos momentos em que pareceis distante, ajudai-me a reconhecer que estais muito perto, dilatando a minha alma para que eu possa receber ainda mais plenamente a abundância da Vossa misericórdia e do Vosso amor. Jesus, eu confio em Vós.


Bondade para com todos

7º Domingo do Tempo Comum (Ano C)

“Ao contrário, amai os vossos inimigos, fazei-lhes o bem e emprestai sem esperar nada em troca; então a vossa recompensa será grande e sereis filhos do Altíssimo, pois Ele é bondoso para com os ingratos e os maus. Sede misericordiosos, assim como o vosso Pai é misericordioso.” Lucas 6:35–36

Certamente é difícil ser “bondoso para com os ingratos e os maus”. Mas é exatamente isso que nosso Senhor nos ordenou fazer. E Sua ordem não é uma ordem no sentido de ser um fardo. Pelo contrário, é uma ordem que nos liberta da ingratidão e da maldade que encontramos.

Muitas vezes, quando nos deparamos com a ingratidão de alguém ou com qualquer outra forma de maldade, tendemos a reagir da mesma maneira. Nossa natureza humana decaída nos leva à crueldade diante da crueldade. Criticamos, condenamos, atacamos e nos encolerizamos. Mas Jesus deixa muito claro que não é assim que o “Altíssimo” age para com os maus. E não é assim que Ele age para conosco. No fim, os maus que não se arrependerem sofrerão as consequências de sua rejeição à misericórdia de Deus. Mas, até esse juízo final, a esperança de conversão deve estar sempre presente. E, por essa razão, nunca devemos desistir de ninguém, por mais difícil que seja. A bondade demonstrada a todos, em todas as circunstâncias, toca o cerne da missão que recebemos como filhos de Deus.

Pense na pessoa em sua vida que parece indigna de sua bondade e generosidade. Por que ela não as merece? Será que realmente não as merece? A verdade, segundo o ensinamento de nosso Senhor, é que essas são perguntas que nem sequer deveríamos nos fazer. Em vez disso, devemos nos comprometer plenamente a amar todos os que parecem ser nossos inimigos e a fazer o bem a eles e a todos os que encontramos. Embora isso seja difícil, não será se compreendermos a bondade que Deus nos tem demonstrado.

Deus nos demonstrou uma bondade perfeita, não porque esperasse algo em troca, mas simplesmente porque quis nos amar. Se queremos ser filhos do Deus Altíssimo, então devemos corresponder ao amor que nos foi dado. Essa é a natureza do amor de Deus. Ele não pode ser contido. Não pode ser recebido de forma egoísta, sem que também permitamos que transborde de nossa vida. Quando compreendermos isso, compreenderemos a razão pela qual Jesus nos instruiu a ser “bondosos para com os ingratos e os maus”. É simplesmente porque é assim que Deus nos tem tratado.

Reflita hoje sobre o amor sem limites que Deus tem por você. Ele vai além de tudo o que você jamais poderia compreender. Reflita também sobre o grande benefício de se abrir ao amor perfeito, à bondade, à generosidade e à misericórdia de Deus. O benefício é que você pode se encher daquilo que recebe. E, ao receber esse amor de Deus, ele necessariamente transborda para a vida de todos os que você encontra, os bons e os maus. Esse amor deve ser sempre oferecido a todos. Não hesite, pois Deus não hesita com você.

Senhor misericordiosíssimo, Vós derramais a Vossa abundante bondade sobre todas as pessoas, tanto as boas quanto as más. Nunca deixais de oferecer o Vosso amor e a Vossa misericórdia. Que eu seja sempre contado entre aqueles que se abrem plenamente à Vossa graça e que eu sempre ofereça a todos essa mesma profundidade de amor. Jesus, eu confio em Vós.


Seguir em frente

Segunda-feira da 7ª Semana do Tempo Comum

Quando Jesus desceu da montanha com Pedro, Tiago e João e se aproximou dos outros discípulos, eles viram uma grande multidão ao redor deles e escribas discutindo com eles. Marcos 9:14

Esta frase, do início do Evangelho de hoje, revela uma transição de uma experiência de glória extraordinária para uma situação muito triste. No monte, Jesus transfigurou-Se diante de três de Seus discípulos, e um pequeno vislumbre de Sua essência divina lhes foi revelado. Os três discípulos ficaram tomados de alegria e admiração. Mas, ao descerem do monte, depararam-se imediatamente com uma discussão entre os escribas e o povo.

A discussão dizia respeito a um homem que havia levado seu filho aos discípulos de Jesus para que fosse curado. O menino estava possuído por um espírito mudo e surdo desde a infância, e os discípulos não conseguiram expulsar o demônio. Além disso, os escribas parecem criticar toda a situação, e o pai parece não ter fé. A resposta de Jesus a todos eles foi: “Ó geração sem fé, até quando estarei convosco? Até quando vos suportarei? Trazei-o a mim.” Depois que o menino foi levado a Jesus, Ele fez duas coisas por ele. Primeiro, ordenou ao demônio: “Sai dele.” Segundo, disse ao demônio: “Nunca mais entres nele.”

Embora haja muito que possamos aprender com esta passagem, vale a pena meditar sobre essa dupla ordem de Jesus. Certamente, libertar o menino da possessão desse demônio foi algo significativo, que transformou sua vida. Mas esse ato de misericórdia teria acabado em tragédia se o demônio voltasse a entrar no menino depois que Jesus partisse. Portanto, a segunda ordem, proibindo o demônio de jamais voltar a entrar nele, é também um ato de grande misericórdia.

Uma coisa que isso deve nos ensinar é que vencer o mal não basta. Isso porque as tentações e opressões que vêm da legião dos anjos caídos são contínuas e implacáveis. Muitas vezes acontece que, depois de se libertar de alguma influência diabólica e de algum pecado, a pessoa volta a cair nesse pecado por descuidar-se. Portanto, devemos sempre nos lembrar de que, uma vez vencido algum pecado, tentação ou opressão, precisamos permanecer continuamente vigilantes para não voltar a cair nesses males. A vigilância constante é essencial para permanecermos firmes no caminho da virtude e da santidade.

Reflita hoje sobre alguma tentação que você enfrentou e venceu, mas na qual voltou a cair mais tarde. Reflita, sobretudo, sobre a importância da vigilância necessária não apenas para evitar voltar aos seus antigos pecados, mas também para avançar em santidade e virtude. O maligno nunca desiste, mas Deus é ainda mais incansável em Sua compaixão e graça. Continue avançando na vida espiritual, para que você nunca escorregue e volte a cair em pecados anteriores.

Senhor gloriosíssimo, volto-me para Vós com confiança e suplico que não apenas me liberteis dos pecados contra os quais luto, mas também me impeçais de voltar a eles depois de ser libertado. Que eu avance sempre em Vossa direção e nunca me descuide em minha caminhada de fé. Jesus, eu confio em Vós.


A sós com Jesus

Terça-feira da Sétima Semana do Tempo Comum

Jesus e seus discípulos partiram dali e começaram a atravessar a Galileia, mas ele não queria que ninguém soubesse. Pois estava ensinando seus discípulos e lhes dizia: “O Filho do Homem será entregue nas mãos dos homens, e eles o matarão; e, três dias depois de sua morte, o Filho do Homem ressuscitará.” Marcos 9:30–31

Por que Jesus desejaria que ninguém soubesse que Ele e Seus discípulos estavam passando pela Galileia naquele momento? Parece que a razão era que Jesus estava profundamente concentrado em ensinar Seus discípulos sobre Sua paixão, morte e ressurreição que se aproximavam. O Evangelho de hoje nos apresenta três momentos em que Jesus ensinou Seus discípulos em particular, de modo direto e claro: primeiro, enquanto estavam a caminho; segundo, quando chegaram a Cafarnaum e entraram numa casa; e terceiro, quando Jesus chamou uma criança para perto de Si. Embora o conteúdo do que Jesus ensinou aos discípulos seja importante, também é proveitoso refletir primeiro sobre o simples fato de que Jesus passava tempo a sós com os discípulos, ensinando-os.

De muitas maneiras, nosso Senhor faz o mesmo conosco. Jesus nos chama constantemente a diversas formas de recolhimento a sós com Ele, para que possamos ouvir tudo o que deseja nos ensinar. Isso é difícil para muitos hoje. Tantas pessoas são constantemente bombardeadas pelos diversos ruídos do mundo, distraem-se sem cessar com experiências momentâneas e passageiras e têm dificuldade de se retirar a sós com nosso Senhor para que Ele lhes ensine as lições mais importantes da vida.

Ao considerar suas atividades semanais, quanto tempo você dedica a estar a sós com nosso Senhor? Quanto tempo passa em oração, na leitura da Sagrada Escritura e na meditação silenciosa, longe de outras distrações? Para muitos, isso é um desafio.

Também é proveitoso considerar o conteúdo do que Jesus ensinou aos discípulos em particular. Ele lhes falou sobre Sua paixão, morte e ressurreição que se aproximavam. Esse era o propósito central de Sua vida e, claramente, algo que Jesus queria comunicar aos discípulos. Observe também que Jesus falou de modo muito direto e sem nenhuma figura de linguagem ao explicar isso. Compare essa maneira de falar com as muitas parábolas que Ele contava às multidões. Parece que, quando Jesus podia estar a sós com aqueles que haviam dedicado a vida a segui-Lo na fé, Ele podia transmitir Sua mensagem de salvação de modo mais claro e direto.

Reflita hoje sobre o fato de que nosso Senhor quer conduzir você, de tempos em tempos, ao silêncio e ao recolhimento. Ele quer passar tempo a sós com você. Isso vale especialmente para aqueles que escolheram dedicar inteiramente a vida a Ele e à Sua missão. Se esse é o seu caso, procure esses momentos de recolhimento em que nosso Senhor pode lhe falar de modo mais claro e direto, para que sua fé se aprofunde e sua compreensão e seu conhecimento cresçam a passos largos.

Senhor, tens tanto a dizer, tanto a ensinar e tanto a revelar. Ao escolher seguir-Te e dedicar toda a minha vida a Ti, peço que me conduzas continuamente a um silêncio e a um recolhimento cada vez maiores, para que eu possa receber de Ti as mensagens profundas, claras e diretas que preciso ouvir, compreender e crer. Jesus, eu confio em Ti.


Apoio mútuo

Quarta-feira da Sétima Semana do Tempo Comum

João disse a Jesus: “Mestre, vimos alguém expulsando demônios em teu nome e tentamos impedi-lo, porque ele não nos segue.” Jesus respondeu: “Não o impeçais…” Marcos 9:38–39

Por que João e os outros discípulos tentariam impedir alguém de expulsar demônios? Para compreender isso, imagine a cena. João e os outros discípulos haviam passado a crer que Jesus era o Cristo, o Messias de Deus. Eles O viram realizar muitos milagres e transformar muitas vidas. Por isso, sem dúvida queriam que todos descobrissem quem era Jesus e chegassem à fé Nele. Mas então encontraram alguém que não conheciam, que expulsava demônios em nome de Jesus, e tentaram impedi-lo.

Pouco antes desta passagem, lemos a história de um homem que havia levado seu filho possesso aos discípulos de Jesus e lhes pedido que curassem o menino, mas eles não conseguiram. Talvez os discípulos tenham se sentido um tanto humilhados por sua incapacidade de expulsar o demônio e, em seguida, tenham visto outra pessoa, que não fazia parte de seu grupo, capaz de expulsar demônios em nome de Jesus. Isso pode ter intensificado seus sentimentos de fraqueza e humilhação, e talvez tenha sido parte do que os motivou a tentar impedir aquele homem de exercer autoridade em nome de Jesus.

Uma tentação comum que o maligno lança sobre os membros da Igreja é a da divisão interna. Como seguidores de Cristo, todos recebemos a mesma missão, de maneiras diferentes. Somos chamados a nos tornar instrumentos da graça de Deus para a salvação das almas e a glória de Deus. Mas, às vezes, deixamos de agir em união e, em vez disso, vemos nossos colaboradores como adversários.

Em nossa Igreja hoje, há muitas divisões internas que precisam cessar. Talvez a melhor maneira de conseguir isso seja dar prioridade ao apoio mútuo. Em vez de permitir que o orgulho gere ciúme daqueles que realizam “obras poderosas” pela graça de Deus, devemos nos esforçar para nos alegrar com todo o bem que vemos. Essa afirmação pode parecer óbvia, mas o orgulho e os sentimentos de inadequação são tentações reais que nos levam a menosprezar aqueles que cumprem a vontade de Deus de maneira poderosa. Quando vemos alguém fazendo algo bom, muitas vezes pensamos imediatamente em nós mesmos, desejando ser nós a realizar aquela boa obra. E, quando Deus se serve de outra pessoa de maneira poderosa, podemos facilmente ser tentados a olhar para nossas próprias limitações e falhas, em vez de glorificar a Deus pelas boas obras realizadas por outra pessoa.

Reflita hoje sobre a simples verdade de que todos os cristãos fazem parte da mesma equipe espiritual. Todos somos chamados a trabalhar pela glória de Deus e pela salvação das almas. Procure pensar com humildade nas pessoas de sua vida que fazem isso bem e considere sua atitude em relação a elas. Se perceber qualquer forma de ciúme, inveja ou crítica, comprometa-se a afastar essas atitudes. Em vez disso, procure cultivar a gratidão, alegrando-se com as muitas maneiras pelas quais Deus se serve dos outros para realizar Seu propósito.

Senhor de poder e força, realizais incontáveis obras boas por meio da generosidade e da fidelidade do Vosso povo. Vós Vos servis constantemente de todos os que Vos seguem para realizar a Vossa vontade. Peço-Vos, amado Senhor, que Vos sirvais de mim como instrumento, conforme a Vossa vontade, e me ajudeis a sempre me alegrar com as maneiras pelas quais fazeis chegar a Vossa graça por meio dos outros. Jesus, eu confio em Vós.


Misericórdia para os fracos

Quinta-feira da Sétima Semana do Tempo Comum

“Quem fizer pecar um destes pequeninos que creem em mim, melhor seria para ele que lhe pusessem ao pescoço uma grande pedra de moinho e o lançassem ao mar.” Marcos 9:42

São Beda, um dos antigos Padres da Igreja, afirma que “aquele que é grande, por mais que sofra, não se afasta da fé; mas aquele que é pequeno e fraco de entendimento procura ocasiões de tropeço”. Em outras palavras, os “pequeninos” aqui podem ser entendidos como aqueles que são fracos na fé e estão constantemente à procura de razões para se afastar dela.

Pense em quem, em sua vida, pode estar lutando contra essa tendência. Talvez haja um familiar que questione continuamente a prática da fé; talvez alguém que você conheça se considere um “católico afastado”. Segundo São Beda, esses são os “pequeninos” de quem Jesus está falando.

Ao lidar com alguém que parece não ter fé, manifesta dúvidas e discordâncias, está preso a uma vida de pecado manifesto ou começou a se afastar da prática da fé, pode surgir a tentação de criticar, discutir ou condenar. Se você luta contra essa tentação, escute com atenção as palavras de Jesus: “Quem fizer pecar um destes pequeninos que creem em mim…” Levamos os que são fracos na fé a pecar quando deixamos de tratá-los com abundante virtude em meio às suas lutas. No fundo, a maioria das pessoas que lutam contra uma vida de pecado ou uma fraqueza de fé tem, de fato, alguma fé. Elas creem em Deus. Mas sua fé muitas vezes é facilmente abalada, e elas podem ser levadas a se afastar ainda mais de Deus se deixarmos de exercer as virtudes da paciência, da compaixão e da misericórdia de que precisam.

Dito isso, também precisamos evitar oferecer uma “compaixão” que não esteja fundamentada na verdade. A esse respeito, São Gregório afirma: “Se alguém encontra motivo de escândalo naquilo que diz respeito à verdade, é melhor permitir que surja o escândalo do que abandonar a verdade.” Em outras palavras, não é compassivo nem misericordioso apoiar alguém em seu erro para que se sinta bem. A verdade do Evangelho jamais deve ser abandonada; pelo contrário, essa verdade deve ser sempre oferecida com a maior caridade, especialmente àqueles “pequeninos” que são fracos na fé.

Reflita hoje sobre o importante equilíbrio necessário na vida apostólica. “Equilíbrio” não significa fazer concessões. Significa, antes, procurar apresentar continuamente toda a verdade do Evangelho, buscando, ao mesmo tempo, exercer plenamente cada virtude nesse processo. Não se torne uma pedra de tropeço para os outros na fé. Procure, em vez disso, derramar abundantemente a graça e a misericórdia de Deus sobre as pessoas de sua vida que mais precisam delas. Se assim fizer, muitos desses pequeninos um dia se tornarão verdadeiramente fortes na graça e na verdade do nosso Deus amoroso.

Senhor misericordiosíssimo, desejais que todos os vossos filhos cheguem à plena revelação da vossa verdade e misericórdia. Peço-vos que vos sirvais de mim como quiserdes para alcançar aqueles que enfrentam dificuldades na fé e precisam ser tratados com o máximo cuidado. Que eu nunca seja uma pedra de tropeço para eles, mas sempre uma ponte para vós e para a abundância da vossa graça. Jesus, eu confio em vós.


Resolvendo conflitos

Sexta-feira da Sétima Semana do Tempo Comum

Jesus foi para a região da Judeia e para o outro lado do Jordão. Novamente, as multidões se reuniram ao seu redor e, como era seu costume, ele voltou a ensiná-las. Os fariseus se aproximaram dele e perguntaram: “É lícito ao marido divorciar-se de sua mulher?” Eles o estavam pondo à prova. Marcos 10,1–2

Observe o contraste acima. As multidões se reuniam ao redor de Jesus para ouvi-lo. Claramente, estavam chegando à fé. Mas os fariseus foram até Jesus para pô-lo à prova. Não vieram com fé; vieram com ciúme e inveja e já procuravam armar-lhe uma cilada. A pergunta que fizeram era capciosa, não uma tentativa sincera de diálogo com nosso Senhor. Presumiam que, fosse qual fosse a resposta de Jesus, algumas pessoas ficariam ofendidas. Os fariseus estavam prontos para provocar tumulto, pois tantos acorriam a Jesus. Além disso, queriam encontrar alguma falha na resposta de Jesus para mostrar que ele se opunha à Lei de Moisés. Mas a resposta de Jesus foi perfeita.

Muito se poderia dizer sobre o conteúdo da resposta de Jesus. Ele claramente defende a indissolubilidade do matrimônio. Afirma que “o que Deus uniu, nenhum ser humano deve separar”. E acrescenta: “Quem se divorcia de sua mulher e se casa com outra comete adultério contra ela; e, se ela se divorcia de seu marido e se casa com outro, comete adultério”. Para aqueles que passaram pelo sofrimento de um divórcio, é importante meditar, em oração, sobre esse ensinamento de nosso Senhor. Também é importante recorrer ao Tribunal Eclesiástico para examinar o matrimônio à luz da verdade, a fim de que se possa determinar a validade ou a invalidade do vínculo matrimonial. Dito isso, a maneira como tanto as multidões quanto os fariseus se aproximaram de Jesus também nos ensina uma importante lição sobre a comunicação, não apenas com Deus, mas também uns com os outros. Essa é uma lição que os casais precisam aprender de modo especial.

Pense na sua própria maneira de se comunicar. Quando você enfrenta um conflito com outra pessoa, como o resolve? Como apresenta suas dúvidas e preocupações ao seu cônjuge? As multidões se aproximavam de Jesus para ouvir e compreender. A recompensa foi o dom da fé, pois receberam um conhecimento mais profundo de quem era Jesus. Os fariseus, porém, se aproximavam de Jesus com a intenção de encontrar alguma falta nele. E, embora seja evidentemente insensato adotar essa atitude com nosso Senhor, também é insensato agir assim com outra pessoa, especialmente com o cônjuge.

Tome as atitudes das multidões e dos fariseus descritas acima como referência para pensar em como você se aproxima dos outros com suas dúvidas e preocupações. Quando há algum conflito ou mal-entendido, você se aproxima com a mente e o coração abertos, buscando compreender e resolver a questão? Ou faz uma pergunta capciosa para apanhar o outro em uma armadilha e encontrar alguma falta nele? Tantos conflitos na convivência, especialmente entre os cônjuges, poderiam ser resolvidos se o objetivo de qualquer conversa fosse simplesmente compreender a outra pessoa, e não apanhá-la em uma armadilha ou encontrar alguma falta nela. Para muitas pessoas, isso é difícil e exige muita humildade e abertura.

Reflita hoje sobre algum relacionamento em que você esteja enfrentando dificuldades. Reflita, especialmente, se sua maneira de se comunicar com essa pessoa se parece mais com a das multidões ou com a dos fariseus. Comprometa-se a buscar uma comunicação aberta e honesta, e você descobrirá que esse compromisso traz uma verdadeira solução, paz e unidade.

Senhor de toda a verdade, desejais que eu sempre me aproxime de Vós com sinceridade, honestidade e humildade, buscando solução para cada dúvida e conflito interior que enfrento. Vós me chamais a me aproximar dos outros com essa mesma profundidade na comunicação. Dai-me a graça de buscar sempre a unidade e a verdade que trazem paz à mente e ao coração. Jesus, eu confio em Vós.


Dependência de Deus

Sábado da Sétima Semana do Tempo Comum

As pessoas traziam crianças a Jesus para que ele as tocasse, mas os discípulos as repreendiam. Ao ver isso, Jesus ficou indignado e lhes disse: “Deixai as crianças virem a mim; não as impeçais, pois o Reino de Deus pertence aos que são como elas”. Marcos 10:13–14

Simplicidade, confiança, pureza de intenção, transparência e resiliência são qualidades que as crianças muitas vezes possuem por natureza. Elas ainda não são capazes de ter más intenções. Perdoam e se reconciliam prontamente quando surgem conflitos. E têm uma confiança inabalável no cuidado de seus pais. Essas estão entre as qualidades que precisamos imitar em nosso relacionamento com Deus.

Parece que, à medida que envelhecemos e nossa razão humana se desenvolve, podemos perder algumas das importantes qualidades que tínhamos quando crianças. Mas, quando se trata de nosso relacionamento com nosso Deus amoroso, jamais devemos perder as importantes qualidades próprias das crianças que nos levam a confiar plenamente na providência e no cuidado de Deus e a depender inteiramente deles.

As crianças também são frágeis no sentido de que não são capazes de cuidar de si mesmas. Dependem inteiramente dos cuidados dos outros, sobretudo dos pais. Por isso, uma criança é uma imagem ideal de como devemos nos aproximar de Deus. Devemos reconhecer nossa fraqueza e nossa dependência. Devemos saber, com profunda convicção, que somos incapazes de cuidar de nós mesmos. E, embora possamos alcançar certa independência à medida que envelhecemos, sendo capazes de prover nosso sustento material, nunca seremos capazes de suprir nossas necessidades espirituais interiores. Quanto às nossas necessidades espirituais, permanecemos inteiramente dependentes da misericórdia de Deus. Nunca devemos nos esquecer de que, no mais íntimo de nosso ser, somos seres espirituais que anseiam pela verdadeira satisfação espiritual. As satisfações materiais ou carnais que podemos obter por nós mesmos jamais bastarão para nos realizar no nível mais profundo de quem somos. Deus, e somente Deus, é capaz de nos conceder essa plenitude.

Pense em sua própria maneira de encarar a vida. Você procura encontrar realização e satisfação na vida por meio de seus próprios esforços? Tem tentado assumir o controle completo de sua felicidade presente e futura? Embora seja essencial agir com responsabilidade na vida, é preciso compreender que a maneira mais responsável de agir é entregar voluntariamente o controle completo de nossa vida à providência e aos cuidados de Deus. Assim como uma criança depende de seus pais, também nós devemos depender da graça de Deus.

Reflita hoje sobre uma criança. Considere, especialmente, como uma criança depende dos outros. Ao fazer isso, veja-se, de modo semelhante, como alguém que deve se tornar inteiramente dependente de Deus para tudo o que é importante na vida e para tudo o que, em última análise, realiza plenamente quem você é. Confie na providência e na misericórdia de Deus e permita que essa confiança de criança o coloque firmemente nos braços de seu Pai do Céu.

Pai amoroso, recorro a Vós com plena confiança, como uma criança pequena recorre a um pai amoroso. Que eu nunca me torne tão autossuficiente a ponto de me iludir, pensando que sou capaz de encontrar minha própria realização na vida. Pelo contrário, que eu sempre Vos reconheça como a única fonte de verdadeira realização e confie sempre somente em Vós. Jesus, eu confio em Vós.

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